Ultimamente eu tenho reservado um tempo para ver os filmes bons que eu nunca tinha tempo pra ver e para me dedicar um pouco mais aos seriados preferidos.
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Nossa, nem eu acreditei no que eu escrevi, ok.
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A verdade é que todo meu tempo está direcionado para seriados (preferidos ou não), filmes (bons ou não) e blogs, o que não é algo que eu me orgulhe de, na verdade me sinto bem envergonhado, tendo que prestar vestibular no fim do ano e protagonizando tardes inúteis, que cena lamentável.
Mas como eu vou entrar na onda do "Busque sempre coisas novas para fazer", movimento idealizado pela
Brunis, semana que vem eu vou começar a estudar, entre outras novas coisas.
E vejam só, estou postando no blog, coisa que eu não fazia há tempos.
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Já tinha ouvido falar do filme The Dreamers e sempre fiquei curioso para ver (por ser do Bertolucci ajudou muito), achei um tempo e fui atrás de tentar assistir o dito-cujo essa semana. Eis que hoje pela manhã (em feriado 12:30 é manhã), eu começo a ver The Dreamers e, cara, como me surpreendi.
The Dreamers é um filme italiano-francês-britânico (no chique: "ítalo-franco-britânico"), o qual eu não me atrevo a designar um gênero, baseado no livro The Holy Innocents de Gilbert Adair, que também assina o roteiro da película.
O Filme é ambientado na Paris de 1968, agitada pelas manifestações estudantis de cunho socialista, onde a cultura é supervalorizada e muros são pichados com frases como "Défense d'interdire" (É proibido proibir).
Nesse contexto surge o americano estudante de intercâmbio, Matthew, amante do cinema clássico, que encontra os irmãos gêmeos Isabelle e Theo em uma das manifestações. Os três se conhecem e acabam descobrindo que compartilham a mesma paixão pelos clássicos. O americano é convidado para se hospedar na casa dos jovens franceses, já que seus pais irão viajar. É nesse período que o trio passa convivendo que o filme todo se desenrola.
Os irmãos de comportamente incomum conversam sobre política mundial, artes, filmes, fazem jogos psicológicos, tem um amor visceral um pelo outro, tem um mundo próprio, Matthew é atraído por esse mundo e os três começam a dividir experiências psicológicas retratadas com uma subjetividade que beira o mistério.
Mas por trás dessa cortina de jogos psicológicos e comportamentos sinuosos há a referência, que chega a ser um tributo, às artes, e em especial ao cinema. Destaque para a cena em que há a discussão sobre quem seria melhor Chaplin ou Keaton e a outra em que há a discussão sobre Hendrix e Clapton. O filme é todo permeado por referências do cinema e por cortes de cena dos próprios filmes.
Bertolucci abusa da relação peculiar dos gêmeos, do erotismo e do subjetivo sem pecar, conseguindo provocar sensações não explícitas que acabam deixando uma tensão durante toda a película. Tudo, desde os cenários até às cores, dos diálogos às atuações, consegue formar uma atmosfera subjetiva em torno daquele apartamento. Aí que a imagem ganha vida.
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Pra quem não sabe sobre os movimentos revolucionários de maio de 1968 em Paris, vale a pena correr atrás para saber, já que são considerados os mais importantes do século XX.
Para despertar a curiosidade seguem alguns slogans usados nas manifestações...Il est interdit d'interdire
É proibido proibir
Soyez réalistes, demandez l'impossible
Sejam realistas, exijam o impossível
L'imagination au pouvoir
A imaginação ao poder
Le patron a besoin de toi, tu n'as pas besoin de lui
O patrão precisa de ti, tu não precisas dele
Le réveil sonne: première humiliation de la journée
O despertador toca: primeira humilhação do dia
Tout pouvoir abuse. Le pouvoir absolu abuse absolutement.
Todo o poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente.
Travailleur : tu as 25 ans mais ton syndicat est de l'autre siècle
Trabalhador, tens 25 anos, mas o teu sindicato é de outro século
L'âge d'or était l'âge où l'or ne régnait pas
A idade de ouro era a idade onde o ouro não reinava.
Nous ne voulons pas d'un monde où la certitude de ne pas mourir de faim s'échange contre le risque de mourir d'ennui
Não queremos um mundo onde a certeza de não se morrer de fome se troca contra o risco de morrer de aborrecimento
Sous les pavés, la plage
Sob as calçadas, a praia
L'alcohol tue. Prenez du LSD
O álcool mata. Tomem LSD
La poésie est dans la rue
A poesia está na rua
Un homme n'est pas stupide ou intelligent: il est libre ou il n'est pas
Um homem não é estúpido ou inteligente. É livre ou não é
Je suis marxiste, tendance Groucho
Sou marxista, tendência Groucho
A bas le réalisme socialiste. Vive le surréalisme!
Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo!
Cours camarade, le vieux monde est derrière toi
Corre camarada, o velho mundo está atrás de ti
On ne revendiquera rien.
On ne demandera rien.
On prendra. On occupera.
Não reivindicaremos nada.
Não pediremos nada.
Conquistaremos. Ocuparemos.
Plus je fais l'amour, plus j'ai envie de faire la Révolution. Plus je fais la Révolution, plus j'envie de faire l'amour.
Quanto mais faço amor, mais vontade tenho de fazer a Revolução. Quanto mais faço a Revolução, mais vontade tenho de fazer amor.
Le droit de vivre ne se mendie pas, il se prend
O direito de viver não se mendiga, toma-se
Professeurs, vous êtes aussi vieux que votre culture
Professores, vocês são tão velhos quanto a vossa cultura
Prenons la révolution au sérieux, mais ne nous prenons pas au sérieux
Tomemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério
Quand l'assemblée nationale devient un théâtre bourgeois tous les théâtres bourgeois doivent devenir des assemblées nationales
Quando a assembleia nacional se transforma num teatro burguês, todos os teatros burgueses devem transformar-se em assembleias nacionais
Ouvrons les portes des asiles, des prisons, et autres facultés
Abramos as portas dos asilos, das prisões, e outras faculdades
L'art est mort, libérons notre vie quotidienne
A arte morreu, libertemos a nossa vida quotidiana
L'art est mort. Ne consommez pas son cadavre
A arte morreu. Não consumam o seu cadáver
L'humanité ne sera vraiment heureuse que lorsque le dernier des capitalistes aura été pendu avec les tripes du dernier des bureaucrates
A Humanidade só será feliz no dia em que o último capitalista for pendurado com as tripas do último burocrata
Les réserves imposées au plaisir excite le plaisir de vivre sans réserve.
As reservas impostas ao prazer excitam o prazer de viver sem reserva.
Ne nous attardons pas au spectacle de la contestation, mais passons à la contestation du spectacle.
Não nos prendamos ao espectáculo da contestação, mas passemos à contestação do espectáculo.
Ne travaillez jamais
Não trabalharemos mais